segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

BASTAM 15 MINUTOS


  O que a Leitura pode fazer por você?

"Bastam 15 minutos por dia mergulhado nos livros para você se dar melhor nos estudos e na vida"
  • Solta sua imaginação;                                  
  • Estimula sua criatividade;                           
  • Aumenta seu vocabulário;                           
  • Facilita a escrita;                                         
  • Simplifica a compreensão das coisas;
  • Ajuda na vida profissional;
  • Melhora a comunicação com os outros;
  • Amplia seu conhecimento geral;
  • Liga seu senso crítico na tomada.





sábado, 11 de fevereiro de 2012

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

RESTOS DO CARNAVAL



"Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma".
                 Clarice Lispector


RESTOS DO CARNAVAL


Não, não deste último carnaval. Mas não sei por que este me transportou para a minha infância e para as quartas-feiras de cinzas nas ruas mortas onde esvoaçavam despojos de serpentina e confete. Uma ou outra beata com um véu cobrindo a cabeça ia à igreja, atravessando a rua tão extremamente vazia que se segue ao carnaval. Até que viesse o outro ano. E quando a festa já ia se aproximando, como explicar a agitação que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu

No entanto, na realidade, eu dele pouco participava. Nunca tinha ido a um baile infantil, nunca me haviam fantasiado. Em compensação deixavam-me ficar até umas 11 horas da noite à porta do pé de escada do sobrado onde morávamos, olhando ávida os outros se divertirem. Duas coisas preciosas eu ganhava então e economizava-as com avareza para durarem os três dias: um lança-perfume e um saco de confete. Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornava uma menina feliz.

E as máscaras? Eu tinha medo, mas era um medo vital e necessário porque vinha de encontro à minha mais profunda suspeita de que o rosto humano também fosse uma espécie de máscara. À porta do meu pé de escada, se um mascarado falava comigo, eu de súbito entrava no contato indispensável com o meu mundo interior, que não era feito só de duendes e príncipes encantados, mas de pessoas com o seu mistério. Até meu susto com os mascarados, pois, era essencial para mim.

Não me fantasiavam: no meio das preocupações com minha mãe doente, ninguém em casa tinha cabeça para carnaval de criança. Mas eu pedia a uma de minhas irmãs para enrolar aqueles meus cabelos lisos que me causavam tanto desgosto e tinha então a vaidade de possuir cabelos frisados pelo menos durante três dias por ano. Nesses três dias, ainda, minha irmã acedia ao meu sonho intenso de ser uma moça - eu mal podia esperar pela saída de uma infância vulnerável - e pintava minha boca de batom bem forte, passando também ruge nas minhas faces. Então eu me sentia bonita e feminina, eu escapava da meninice.

Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu, que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figurino Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com os quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira.

Foi quando aconteceu, por simples acaso, o inesperado: sobrou papel crepom, e muito. E a mãe de minha amiga - talvez atendendo a meu mudo apelo, ao meu mudo desespero de inveja, ou talvez por pura bondade, já que sobrara papel - resolveu fazer para mim também uma fantasia de rosa com o que restara de material. Naquele carnaval, pois, pela primeira vez na vida eu teria o que sempre quisera: ia ser outra que não eu mesma.
Até os preparativos já me deixavam tonta de felicidade. Nunca me sentira tão ocupada: minuciosamente, minha amiga e eu calculávamos tudo, embaixo da fantasia usaríamos combinação, pois se chovesse e a fantasia se derretesse pelo menos estaríamos de algum modo vestidas - à idéia de uma chuva que de repente nos deixasse, nos nossos pudores femininos de oito anos, de combinação na rua, morríamos previamente de vergonha - mas ah! Deus nos ajudaria! não choveria! Quando ao fato de minha fantasia só existir por causa das sobras de outra, engoli com alguma dor meu orgulho que sempre fora feroz, e aceitei humilde o que o destino me dava de esmola.
Mas por que exatamente aquele carnaval, o único de fantasia, teve que ser tão melancólico? De manhã cedo no domingo eu já estava de cabelos enrolados para que até de tarde o frisado pegasse bem. Mas os minutos não passavam, de tanta ansiedade. Enfim, enfim! Chegaram três horas da tarde: com cuidado para não rasgar o papel, eu me vesti de rosa.
Muitas coisas que me aconteceram tão piores que estas, eu já perdoei. No entanto essa não posso sequer entender agora: o jogo de dados de um destino é irracional? É impiedoso. Quando eu estava vestida de papel crepom todo armado, ainda com os cabelos enrolados e ainda sem batom e ruge - minha mãe de súbito piorou muito de saúde, um alvoroço repentino se criou em casa e mandaram-me comprar depressa um remédio na farmácia. Fui correndo vestida de rosa - mas o rosto ainda nu não tinha a máscara de moça que cobriria minha tão exposta vida infantil - fui correndo, correndo, perplexa, atônita, entre serpentinas, confetes e gritos de carnaval. A alegria dos outros me espantava.
Quando horas depois a atmosfera em casa acalmou-se, minha irmã me penteou e pintou-me. Mas alguma coisa tinha morrido em mim. E, como nas histórias que eu havia lido, sobre fadas que encantavam e desencantavam pessoas, eu fora desencantada; não era mais uma rosa, era de novo uma simples menina. Desci até a rua e ali de pé eu não era uma flor, era um palhaço pensativo de lábios encarnados. Na minha fome de sentir êxtase, às vezes começava a ficar alegre mas com remorso lembrava-me do estado grave de minha mãe e de novo eu morria.
Só horas depois é que veio a salvação. E se depressa agarrei-me a ela é porque tanto precisava me salvar. Um menino de uns 12 anos, o que para mim significava um rapaz, esse menino muito bonito parou diante de mim e, numa mistura de carinho, grossura, brincadeira e sensualidade, cobriu meus cabelos já lisos de confete: por um instante ficamos nos defrontando, sorrindo, sem falar. E eu então, mulherzinha de 8 anos, considerei pelo resto da noite que enfim alguém me havia reconhecido: eu era, sim, uma rosa.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

A AVÓ



"A avó, que tem oitenta anos,
Está tão fraca e velhinha! . . .
Teve tantos desenganos!
Ficou branquinha, branquinha,
Com os desgostos humanos.

Hoje, na sua cadeira,
Repousa, pálida e fria,
Depois de tanta canseira:
E cochila todo o dia,
E cochila a noite inteira.

Às vezes, porém, o bando
Dos netos invade a sala . . .
Entram rindo e papagueando:
Este briga, aquele fala,
Aquele dança, pulando . . .
A velha acorda sorrindo,
E a alegria a transfigura;
Seu rosto fica mais lindo,
Vendo tanta travessura,
E tanto barulho ouvindo.

Chama os netos adorados,
Beija-os, e, tremulamente,
Passa os dedos engelhados,
Lentamente, lentamente,
Por seus cabelos, doirados.

Fica mais moça, e palpita,
E recupera a memória,
Quando um dos netinhos grita:
"Ó vovó! conte uma história!
Conte uma história bonita!"

Então, com frases pausadas,
Conta historias de quimeras,
Em que há palácios de fadas, 
E feiticeiras, e feras,
E princesas encantadas . . .

E os netinhos estremecem,
Os contos acompanhando,
E as travessuras esquecem,
— Até que, a fronte inclinando
Sobre o seu colo, adormecem . . ."


  
Olavo Bilac

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Querida Família


            Ouro Preto, 25 de janeiro de 2012
                                          Querida família,
 Estamos com saudades, porém revigoradas pelos momentos lindos que vivenciamos no período de natal.
 Boas lembranças me assolaram nestas duas ultimas semanas. As meninas me levaram ao cinema e parecia que vocês estavam la também. Primeiro a "pequena" levou-me para assistir O Gato de Botas e de acordo com ela, ele parecia com o "intelectual". Uma história que bem conhecemos, com uma leitura atual, com gírias e gingas de hoje. Ontem foi a "pequena mocinha" e então as imagens vieram com os bonecos da tv, Os Mappets, trazendo a infância e juventude na memória feliz. Com isso uma viagem inteira ao passado, tão presente comigo, cheio de músicas, danças, brincadeiras, bastidores de organizações de festas da família e os adultos sempre tão presentes.Um grande e colorido mosaico de lindas histórias, com carinhos nem sempre explícitos, mas incorporados até onde menos se podia entender, como nas receitas novas que iam surgindo, para alegria geral, nos cadernos de culinária, tricô, crochê e bordados. As viagens, literalmente falando, para Lagoa Santa, Serra do Cipó, Nova Almeida, Manhumirim, Arraial do Cabo, Ubatuba, Brasília, de ônibus, trem, carro ou mesmo avião, sem esquecer a "Vemaguete". Também as roupas, pois estávamos sempre na moda. Os programas de tv:teatrinho Kibon, Patrulheiros Kresto e Toddy (né companheira, que dividiu o prêmio comigo), Bonanza, Papai Sabe Tudo, Rin-tin-tin, Feiticeira, Dr. Kildare, Mazzaropi, Charles Chaplin, e os programas de músicas, Jovem Guarda, Festivais, o de rádio do Big Boy e nossas cantorias. As festas na igreja para construção da São Pedro, novenas, terços, procissões ("seu" condutor faz assim, dém, dém! e tome puxão de trancinhas),as missas e alguém...né, que sempre descobria algo pra gente querer rir e nem poder olhar para a outra. As surpresas com roupas improvisadas de papai-noel, fazia a gente passar "apertos" de tanta risada. Éramos abraçadas e beijadas por completo, aceitas com nossas diferenças e cobradas para que pudéssemos deixar aflorar o que fosse nosso melhor potencial. Em tempo(até piniquinho pra "Risadinha" era inserido na bagagem de viagem de trem).O filme dos Mappets é lindo, a música, ... "Mahna Mahna" sei que vão lembrar.
Turma, desejo que vocês também façam esta viagem e se animarem, deixem aflorar suas boas recordações.